O banco não é teu amigo. O intermediário de crédito sim - se souberes escolher
Há uma cena que se repete em quase todos os processos de compra de casa.
O comprador trata do crédito sozinho. Liga ao banco onde tem conta há quinze anos, pede uma simulação, recebe uma proposta, acha que está bem entregue porque conhece o gestor de conta pelo nome e porque já lá tem o ordenado domiciliado há uma década.
Fecha o crédito. Paga durante trinta anos.
E nunca sabe o que deixou em cima da mesa.
O banco não é teu inimigo. Mas também não é teu amigo. É uma instituição financeira com objectivos comerciais, com produtos para vender, com spreads que têm margem, com condições que variam consoante o teu perfil, o momento do ano, as metas internas da equipa comercial e factores que nunca te vão explicar.
O gestor de conta que te atende com simpatia está a fazer o seu trabalho. O seu trabalho não é encontrar-te o melhor crédito do mercado. O seu trabalho é vender-te o produto do banco onde trabalha.
São coisas diferentes.
O intermediário de crédito certificado pelo Banco de Portugal faz outra coisa. Acede a propostas de vários bancos em simultâneo, compara condições reais, não as condições de balcão que variam consoante quem atende, e apresenta-te o que é efectivamente mais vantajoso para o teu perfil específico.
Não tem produto para vender. Tem um cliente para servir.
Mas, e este mas é importante, nem todos os intermediários de crédito são iguais.
Há intermediários que têm acordos preferenciais com determinadas instituições e que, na prática, funcionam como captadores de clientes para bancos parceiros. A independência que anunciam é real no papel e discutível na prática.
Um bom intermediário diz-te quando o teu banco actual tem efectivamente a melhor proposta. Diz-te quando não tem. Explica-te a diferença real em euros ao longo da vida do crédito, não em décimas de spread que parecem insignificantes mas que, em trinta anos e em 300.000 euros, se traduzem em milhares de euros de diferença.
Diz-te também o que o banco não te diz: que podes renegociar as condições ao fim de um ano. Que a domiciliação do ordenado pode não compensar o spread que aceitas em troca. Que o seguro de vida embutido no crédito raramente é o mais competitivo do mercado.
O crédito habitação é provavelmente o contrato mais longo que vais assinar na tua vida. Mais longo do que a maioria dos casamentos. Com um valor acumulado que supera em muito o preço da casa que estás a comprar.
Tratar desse contrato sozinho, com um único banco, sem comparação, sem aconselhamento independente, porque "já conheces o gestor" — é uma das decisões financeiras mais caras que podes tomar sem te aperceberes.
O intermediário de crédito não te custa nada. A comissão é paga pelo banco. O que te custa é não o usar.