Há muito falso luxo em Portugal. O meu trabalho é encontrar o luxo real.
Esta frase podia parecer provocatória. Não é. É apenas honesta.
Portugal passou por uma década de crescimento imobiliário intenso, alimentado por procura externa, por capitais que chegaram com urgência e com apetite, por um mercado que teve de crescer depressa para absorver uma pressão que não tinha precedente. Crescemos. E quando se cresce depressa, nem sempre se cresce bem.
O que ficou dessa época é um mercado com dois segmentos que partilham o mesmo nome mas pouco mais: o luxo de marketing e o luxo real.
O luxo de marketing é eficiente. Tem boas fotografias, localizações apetecíveis, brochuras bem desenhadas e preços que justificam o posicionamento na comunicação. Vende bem a compradores que não visitaram o suficiente para saber o que estão a comparar, ou que compram com pressa, ou que confiam demasiado na reputação de uma zona sem verificar a realidade concreta da casa.
O luxo real é mais raro e mais discreto. Não precisa tanto de se anunciar. Encontra-se em edifícios onde o promotor tinha capital suficiente para não cortar nos materiais, em reabilitações feitas por arquitectos que recusaram compromissos estruturais, em casas que foram construídas para durar e não para vender.
Não tenho interesse em vender um imóvel que não cumpre o que promete, porque o comprador vai viver lá, e porque a minha reputação depende do que ele vai sentir dois anos depois da escritura, não dois dias.
Há muito falso luxo em Portugal. E há luxo real que merece ser encontrado. É para isso que cá estou.