O que define realmente um acabamento de luxo e como o reconheces numa visita
Há uma pergunta que faço sempre que entro num imóvel pela primeira vez, antes de olhar para as plantas, antes de ver as vistas, antes de verificar a exposição solar: o que é que eu estou realmente a tocar?
Os acabamentos são a verdade de um imóvel. São o que fica depois das fotografias, depois do home staging, depois do perfume a café fresco que alguém colocou estrategicamente na cozinha antes da visita. São o que a câmara grande angular do telemóvel não consegue falsificar.
Um acabamento de luxo real não precisa de se anunciar. Reconhece-se pelo peso de uma porta, pela forma como uma gaveta fecha sem fazer barulho, pela espessura do vidro duplo que isola o apartamento do mundo lá fora. Reconhece-se pela frieza do mármore natural, não do porcelânico que o imita, quando pousas a mão na bancada. Reconhece-se pela ausência de problemas: sem empenos, sem folgas, sem aquele som de plástico quando bates com os nós dos dedos na madeira que devia ser madeira mas não é.
O mercado português aprendeu a fotografar luxo. Aprendeu a escolher torneiras que ficam bem em fotografia, puxadores que brilham, candeeiros que criam atmosfera. O que ainda não aprendeu, ou não quer aprender, é que o cliente que pode verdadeiramente pagar pelo luxo já o tocou noutros sítios. Já ficou num hotel Aman. Já visitou apartamentos em Paris, em Milão, em Lisboa também, mas em Lisboa antes do boom imobiliário, quando ainda havia mais vergonha de fingir.
Esse cliente nota a diferença em dois minutos. E quando nota, não diz nada. Simplesmente não volta.
Por isso, quando faço uma visita com um comprador, não começo pela sala. Começo pela casa de banho de serviço. É onde se esconde a verdade do promotor.